Dia 18 de Maio - Dia Nacional da Luta Antimanicomial

O Movimento Nacional da Luta Antimanicomial surgiu no final da década de 1980 e esse ano completa seus 30 anos. Construido à partir de uma articulação entre profissionais de saúde, estudantes, usuários dos serviços de saúde mental, familiares e movimentos sociais, o MNLA, que surgiu em Bauru-SP, vem se consolidando a cada ano e expandindo sua atuação por todo o país.

Nesses árduas anos de luta, alguns avanços foram feitos, como por exemplo a Lei Paulo Delgado (2001) que define os parâmetros da Reforma Psiquiatrica, bem como a constituição da Rede Internúcleos, que organiza o movimento nas diveras localidades do país, considerando as diferenças regionais e as demandas emergencias, nunca perdendo de vista a sua palavra de ordem "Por uma Sociedade Sem Manicômios".

O MNLA reinvindica, além da efetivação da Reforma Psiquiátrica, a construção de um modelo de saúde Mental substitutivo, em detrimento das práticas manicomias. Uma rede composta por Centros de Atenção Psicosocial (CAPS), leitos psiquiátricos em hospitais gerais, prontos socorro psiquiátricos, e que acima de tudo, preze pela integração da equipe multidisciplinar e a humanização dos serviços de saúde mental.

Preza-se também pela acessibilidade do serviço a todos que dele necessitam, pela participação da família no processo dos cuidados, da intervenção direta na comunidade e especialmente pela resignificação da loucura. 

O Dia Nacional da Luta Antimanicomial é repleto de debates e mobilizações. Somando às mobilizações que vem acontecendo em torno do processo de realização da IV Conferência Nacional de Saúde Mental, conquistada a partir da Marcha dos Usuários à Brasília.  Contamos mais uma vez com a participação de todos e todas para a celebração de mais um 18 de maio repleto de beleza, alegria e criatividade.

Acompanhe as comemorações do Dia Nacional da Luta Antimanicomial na Cinelândia - Rio de Janeiro/RJ CLICANDO AQUI.

15:00 - Esquenta: Grupo Pirei na Cenna -30´
       - Coletivo Carnavalesco Tá Pirando Pirado Pirou - 30´               
       - Bloco Carnavalesco Loucura Suburbana - 30´
       - Abertura:  Zé Tonhão (ator Rafael Carvalho)
16:30 - Chama: Cancioneiros do IPUB - 30´
16:45 - Chama: Chacal – 15’
17:00 - Chama: Harmonia Enlouquece - 30´
17:30 - Chacal – 15’  
17:45 - Exibição TV Pinel -  20’
18:05 - Chicas 30’ 

Deixe nos comentários os locais de comemorações, palestras e protestos na sua cidade.

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

Portaria dos Centros de Atenção Psicossocial e suas falhas

Com certeza o sistema de saúde mental pública não está garantindo os direitos legítimos dos ex-pacientes psiquiátricos e pacientes psiquiátricos, sem dúvida a lei 10216 não está sendo cumprida, como tenho mostrado aqui frequentemente.

Mas e a portaria dos CAPS? O governo e os gestores de saúde mental estão mantendo os CAPS de acordo com a Lei?

Sabemos que não há psiquiatras o suficiente nos CAPS. Mas o incrível é que os políticos estão cumprindo a Portaria dos CAPS, pelo menos na maioria dos casos. Apesar de que, na prática, a desassistência é geral. O problema é que a Portaria dos CAPS não está de acordo com a Lei 10216.

Complexo... interessante.

É que a portaria dos CAPS estabelece como necessário um psiquiatra apenas para o CAPS I e para o CAPS II.

A Portaria diz:

A equipe técnica mínima para atuação no CAPS II, para o atendimento de 30 (trinta) pacientes por turno, tendo como limite máximo 45 (quarenta e cinco) pacientes/dia, em regime intensivo, será composta por:

a - 01 (um) médico psiquiatra;

b - 01 (um) enfermeiro com formação em saúde mental;

A equipe técnica mínima para atuação no CAPS III, para o atendimento de 40 (quarenta) pacientes por turno, tendo como limite máximo 60 (sessenta) pacientes/dia, em regime intensivo, será composta por:

a - 02 (dois) médicos psiquiatras;

b - 01 (um) enfermeiro com formação em saúde mental.

O problema é que na prática isso não atende as necessidades dos usuários de CAPS. Um único psiquiatra em um CAPS II (ou mesmo CAPS I) não pode estar presente todos os dias da semana. Muito menos dois psiquiatras dariam conta de um CAPS 24 horas.

Logo não poderia garantir o direito direito essencial dos usuários de saúde mental registrado na lei 10216:

V - ter direito à presença médica, em qualquer tempo, para esclarecer a necessidade ou não de sua hospitalização involuntária;

Em resumo: quem fez essa Portaria que define e estabelece diretrizes para o funcionamento dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) sequer conhecia a situação da saúde mental. Ou então não queria respeitar a Lei 10216. Ou será que fez isso de propósito? 
 
Texto publicado no blog Paciente Psiquiátrico.

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

15 de Maio - Dia do Assistente Social

Vídeo produzido em 2010 pelo Conjunto CFESS-CRESS em comemoração ao 15 de maio, dia do/a Assistente Social, com o tema "Trabalho Com Direitos, Pelo Fim da Desigualdade".



Dica do blog do NEPS/UERJ.

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

Hospício a céu aberto. Parte 2


Alguns desses indivíduos, como o príncipe Obá, chegaram a alcançar uma invulgar notoriedade em que viveram. Castro Urso, por exemplo, foi um vendedor de bilhetes de loteria: doido caricato, muito feio e desajeitado, era frequentemente retratado nas folhas ilustradas do período. Emiliano, outro personagem desse tipo, tinha especial habilidade de imitar com a garganta o som de instrumentos de sopro e ruídos mecânicos. Era o que ele fazia nas ruas todo o tempo. Sua imitação de locomotiva era especialmente apreciada: valheu-lhe o apelido de Estrada- de -Ferro e até um contrato para realizar a sonoplastia no espetáculo teatral Viagem à roda do mundo, encenado com grande sucesso na Corte. 
 

Praia Grande, descrito como manso e delirante, vivia de esmolas e da atenção carinhosa das quitandeiras. Circulava entre o Largo do Paço e o Cais do Porto e chegou a ser personagem central de uma outra farsa teatral, intitulada O Filósofo do cais e o Praia Grande, encenada do Teatro de São Pedro. Além de se tornarem personagens centrais de espetáculos do teatro ligeiro, vários deles, em especial, Oba, Natureza e Castro Urso, costumavam aparecer pessoalmente no alto de "carros e críticas" de sociedades carnavalescas capitaneadas por jornalistas, escritores e comerciantes, desfilando sua extravagância. Ao mesmo tempo em que podiam ser objeto de riso, prestavam-se às persistentes metáforas políticas e às críticas sociais encenadas pelas grandes sociedades carnavalescas em seus préstitos anuais.

Nem por isso eles deixaram de preocupar certas parcelas específicas da sociedade. Na segunda metade do século XIX enquanto muitos personagens como estes perambulavam tranquilamente pelas ruas, a corporação médica começava a absorver os princípios de uma nova especialidade, já consolidada na Europa, mas ainda distante das praias brasileiras. O alienismo (nome que então se atribuía à medicina mental) ganhava corpo no Brasil, propondo ver a loucura como doença. Isto significa substituir a caridade que informava a antiga noção da "assistência" aos necessitados e permitia que loucos permanecessem em suas casas ou nas ruas, pelo confinamento "terapêutico". Protegia-se assim o doente e a sociedade, pois a loucura, dizia-se, tinha também um potencial de contágio. 

Nas últimas décadas do século XIX, no Rio de Janeiro da febre amarela, a idéia de uma epidemia de loucura funcionava como um eficiente antídoto contra o temor despertado pelas mudanças que se avizinhavam rapidamente. Reestruturar a polícia, organizar a cidade, higienizar a pobreza, isolar os loucos eram medidas que, juntas, configuravam um único sentido. Com a Proclamação da República, a concepção médica oficializou-se em uma ideologia de Estado, fortemente escorada na idéia de uma cientificidade fechada e inquestionável. Os hospícios proliferam por todo o país e o alienismo vê fortalecida sua abrangência e suas atribuições. Se a solução não chegava a ser um consenso, sem dúvida era o ponto de vista triunfante no início do século XX. Famílias entregavam seus "doidos" com um misto de vergonha e alívio (a primeira, causada pela teoria de que suas manifestações decorriam quase sempre de tendências hereditárias; a segunda, pela vã esperança de cura - ou, ao menos, de sigilo). Seja como for, a mudança de atitude é rápida e impressionante, desde o aparecimento do asilamento científico no país.

Fonte: A Revista de História da Biblioteca Nacional      

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

Hospício a céu aberto. Parte 1


Leitores de velhos romances do século XIX encontram com relativa facilidade, personagens encerrados pelas próprias famílias em porões ou sótãos escuros. Mais frequentemente, aparecem mulheres que perderam o juízo em decorrência de episódio traumático, cuja revelação costuma conter a trava da trama. Tais livros dizem algo importante sobre a forma pela qual a loucura era vista e enfrentada naquele tempo: em primeiro lugar, algo que pertencia exclusivamente à esfera da razão- "delusões", perda de comunicação ou, por vezes, "furores" que tornavam a convivência social problemática.Trancafiar os dementes era a solução possível pra quem habitasse casarões senhoriais, com criados discretos  e dedicados. Para a maioria das famílias, porém, os loucos eram mantidos livres, em convivência com a vizinhança ou entregues à própria sorte. Sua presença nas ruas do RJ do século XIX foi amplamente descrita por médicos e cronistas de costume da corte imperial.


Podemos seguir-lhes os passos, por exemplo, com Mello Moraes Filho em seu curioso inventário dos ”tipos de rua" da cidade do século XIX. O mais famoso deles por certo era o príncipe de Obá II d'África, entre tantos mencionados.Para prosseguir com a realeza das ruas, havia ainda outro famoso aristocrata negro, o príncipe Natureza -como era conhecido o negro Miguel, liberto falante e rebuscado, que se autobatizou “D. Miguer Manoer Pereira da Natureza, sová, Gorá, Vange".Tão popular que suas cômicas conferências chegaram a ser promovidas em teatros da região central por estudantes de direito, visando à obtenção de fundos para a sociedade Abolicionista.Talvez, sem saber, o príncipe Natureza foi responsável pela remissão de vários cativos. Famoso era também um português conhecido como Miguelista, cuja conduta escandalosa era, antes de tudo, motivo de risos e pândegas de molecada.Tinha de costume comum de embriagar-se  e o hábito (em todo caso incomum) de nessas circunstâncias, ficar completamente nu,batendo ruidosamente com as palmas das mãos nas próprias nádegas  a apregoar com toda força  dos pulmões: Vizinhas, estou na área!

Havia também, naturalmente, as mulheres. Maria Doida, mulata andarilha que vestia simultaneamente várias mudas de roupa para poupar-se de carregar trouxa muito pesada, era estimada e cuidada pelos cariocas, a quem fazia rir (e corar, aos mais recatados) com suas tiradas inconvenientes ou obscenas. Nem tão engraçadas, outras figuras, como a Forte-Lida, causavam antes piedade e respeito: tratava-se de uma viúva de meia idade e algumas posses que sem família que a cuidasse, perambulava pelas ruas sempre acompanhadas de uma escrava amarrada pelo pescoço. Outros personagens da mesma categoria incorporados à paisagem das ruas são descritos pelo nosso cronista. Como o Bolenga, crédulo na sua iminente sagração como bispo, ou seu colega, o padre Quelé, ex seminarista como ele, envergando batina, cujo notório entusiasmo onanista não impedia que fosse benquisto e reconhecido como um bom tocador de violão e cantor de Iundus, talentos que era frequentemente convidado a desempenhar mesmo em casas de família. 

Vale lembrar ainda o Policarpo, tido como homem íntegro e bom pai de família, músico da Capela Imperial durante os dias. Todas as noites, religiosamente do entardecer até meia-noite, caminhava com seu amigo Paiva no trajeto entre o passeio público e o Chafariz das Marrecas. Executavam todos os dias, nesse horário e percurso, uma mesma serenata cujo repertório se resumia a duas músicas repetidas obsessivamente, para torturados moradores das redondezas. Próximo ao local da exasperante serenata morava o famoso Chico Cambraia, louco familiar também apreciado pela sua maestria como cantor de Lundus, que vivia da caridade pública e residia precisamente na rua do Hospício-vizinhança que ao que tudo indica nunca o incomodou.

Fonte: A Revista de História da Biblioteca Nacional                         

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

18 de maio na Cinelândia - Participe!


O dia 18 de maio é uma importante data para a sociedade, pois celebramos o Dia Nacional da Luta Antimanicomial.

 Foi um movimento, dentre outros, que fez parte da reforma psiquiátrica e que contribuiu para conquista da Lei 10.216 que busca consolidar uma mudança do modelo assistencial e garantir o acesso de todos ao tratamento.

Todos os anos nesta data a TV Pinel realiza intervenções em praças públicas, com objetivo de sensibilizar a população, de uma forma geral para as questões da loucura.

Este ano a TV Pinel junto com o CRP-RJ e a Escola Nacional de Saúde Pública – FIOCRUZ estão preparando um Show-ato no dia 18 de maio de 2010 na Cinelândia de 15 às 19 horas. 


Adicione nos comentários o evento de sua cidade.



Convidamos a sua instituição para o Evento de 18 de maio na Cinelândia.

Obs:. Para os Caps


Convidamos o seu Caps para colocar barraquinha na Cinelândia.


A organização do evento não tem como arcar com nenhuma infra esse ano, sendo assim caso seu Caps queira participar tudo ocorrerá por conta da instituição: transporte, barraca, alimentação.

A TV Pinel se responsabilizará pela marcação da barraca e o ponto de luz.
Caso seu Caps queira participar favor dar a resposta até 10/05/2010, caso contrário entenderemos que a resposta foi Não.


Qualquer dúvida favor entrar em contato comigo 
Pelo e-mail ou tel: 2542-3049 ramal 2111 / 9427-8728

Irlândia Cássia 
Produtora da TV Pinel

Roteiro de programação - 15 às 17 horas

15:15:00 - Esquenta: Grupo Pirei na Cenna -30´
             - Coletivo Carnavalesco Tá Pirando Pirado Pirou - 30´               
             - Bloco Carnavalesco Loucura Suburbana - 30´
Ab         - Abertura:  Zé Tonhão (ator Rafael Carvalho)
16:16:30 - Chama: Cancioneiros do IPUB - 30´
16:16:45 - Chama: Chacal – 15’
17:17:00 - Chama: Harmonia Enlouquece - 30´
17:17:30 - Chacal – 15’
17:17:45 - Exibição TV Pinel -  20’
18:18:05 - Chicas 30’ 


  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

Documentário: A casa dos mortos

Indicado pelo grupo de Saúde Mental na Uerj, o documentário "A casa dos mortos" relata o Manicômio Judiciário de Salvador. A antropóloga Débora Diniz, diretora do filme, ressalta o polêmico tema dos manicômios judiciários como o grande desafio da Reforma Psiquiátrica Brasileira. 

O FILME: Bubu é um poeta com doze internações em manicômios judiciários. Ele desafia o sentido dos hospitais-presídios, instituições híbridas que sentenciam a loucura à prisão perpétua. O poema A Casa dos Mortos foi escrito durante as filmagens do documentário e desvelou as mortes esquecidas dos manicômios judiciários. São três histórias em três atos de morte. Jaime, Antônio e Almerindo são homens anônimos, considerados perigosos para a vida social, cujo castigo será a tragédia do suicídio, o ciclo interminável de internações, ou a sobrevivência em prisão perpétua nas casas dos mortos. Bubu é o narrador de sua própria vida, mas também de seu destino de morte. 
 
"A falta de tratamento adequado, de terapias, atividades de cunho social e trabalho de incentivo à reaproximação familiar levam, inevitavelmente, à instituição não oficial de algo proibido pela Constituição". "A prisão perpétua acaba ocorrendo nesse cenário", destaca Débora. 

"Na avaliação de Débora, transferir a responsabilidade do tratamento à área da saúde é uma das tentativas interessantes para mudar a realidade dos manicômios judiciários". Segundo ela: "Seria a transmissão do mundo da medicalização para o mundo social".


Documentário questiona a forma como o poder público trata os doentes mentais que cometem crimes

CorreioWeb (DF)  > Brasil 19 de abril de 2009 

Três destinos estão reservados aos doentes mentais que cometem crimes no Brasil. Ciclos intermináveis de internações, suicídio ou a sobrevivência em prisão perpétua. Jaime, Antonio e Almerindo, cada um com sua sina, contam a realidade macabra dos manicômios judiciários do país. São os protagonistas do documentário A casa dos mortos, que será lançado em Brasília na próxima sexta-feira, durante o festival É Tudo Verdade. O filme de 24 minutos é narrado pela voz imponente de Bubu, um escritor com 12 internações em manicômios, que recita um poema de autoria própria. Ao fim de cada estrofe, a explicação sobre onde ocorrem "mortes sem batidas de sinos", "overdoses usuais e ditas legais" e "vidas sem câmbio lá fora". "É que aqui é a casa dos mortos!", esclarece Bubu.

Mortos fisicamente pelas condições desumanas a que são submetidos, ou defuntos sociais, quando conseguem sobreviver lá dentro mas perdem qualquer vínculo com o mundo exterior, cerca de 4.500 pessoas estão abrigadas nos manicômios judiciários no país. Muitas como Almerindo, há mais de 30 anos no Hospital de Custódia e Tratamento (HCTP) de Salvador (BA), por ter atirado uma pedra numa pessoa e roubado a bicicleta dela, em seguida recuperada.

A antropóloga Debora Diniz, diretora do documentário, ressalta o objetivo esclarecedor da fita. "Queremos mostrar que essa realidade existe e que se configura numa violência aos direitos humanos dessas pessoas. Da forma como fizemos, mostrando o manicômio judiciário sob a ótica do interno, retratamos quase que o mundo real", explica.

Os manicômios judiciários são, na avaliação de Debora, o grande desafio da reforma psiquiátrica brasileira, que completa oito anos em 2009. Uma das grandes polêmicas da área é quem deve se responsabilizar pelos doentes mentais infratores. "Cria-se esse limbo. A área da saúde não quer se meter porque o problema é de segurança pública, que não consegue oferecer o mínimo de tratamento adequado para esses pacientes", afirma Carmen Silvia de Moraes Barros, coordenadora do núcleo de situação carcerária da Defensoria Pública de São Paulo.

Em muitos manicômios judiciários do país, relata a defensora, não há nem sinais de um hospital - embora eles devessem funcionar como tal. "Em Taubaté, por exemplo, são celas, com portas de ferro e janelinhas que abrem."

Na avaliação de Debora, transferir a responsabilidade do tratamento à área da saúde é uma das tentativas interessantes para mudar a realidade dos manicômios judiciários. "Seria a transmissão do mundo da medicalização para o mundo social. O Almerindo vive há 30 anos sem decidir o que tomar no café. Então, o quadro é muito grave. E disso surge uma pergunta: onde colocar o Almerindo?", questiona a antropóloga.

A falta de tratamento adequado, de terapias, atividades de cunho social e trabalho de incentivo à reaproximação familiar levam, inevitavelmente, à instituição não oficial de algo proibido pela Constituição. "A prisão perpétua acaba ocorrendo nesse cenário", destaca Debora.

Após a exibição de A casa dos mortos, haverá debate sobre o assunto com Debora e a diretora de produção do documentário, Fabiana Paranhos.

Poema A casa dos mortos, de Bubu

A casa dos mortos
das mortes sem batidas de sino.
- Cena 1 deste filme-documentário
do mesmo destino de sempre;
é que aqui é a casa dos mortos!
***
A casa dos mortos
das overdoses usuais e ditas legais.
- Cena 2 deste filme-documentário
do mesmo destino de sempre;
é que aqui é a casa dos mortos!
***
A casa dos mortos
das vidas sem câmbios lá fora.
- Cena 3 deste filme-documentário
do mesmo destino de sempre;

é que aqui é a casa dos mortos!
***
Prá começo de conversa, são 3 cenas,
são 3 cenas anteriores e posteriores
às minhas 12 passagens
pelas casas dos mortos,
que são os manicômios;
- tenho - digamos assim ! -
surtos de loucura existencial brejinhótica,
relativos à minha cidade natal,
Oliveira dos Brejinhos - Bahia - Brasil;
voltando às cenas:
... cenas que, por si sós,
deveriam envergonhar os ditames legais
das processualísticas penais e manicomiais;
mas, aqui é a realidade manicomial!
***
Pois, bem: são 3 cenas,
são três cenas repetidas e repetitivas
de um ritual satânico-sacro
com poucos equivalentes comparados de terror,
cujo estoque self-made in world
é o medicamentoso entupir de remédios,

o qual se esquece de que
A Era Prozac
das pílulas da felicidade
não produz A Era da Felicidade
da nossa almática essência de liberdade;
mas, aqui é a realidade manicomial!

***
E, ainda sobre as 3 cenas:
são 3 cenas de um mesmo filme-documentário:
Cena 1, das mortes sem batidas de sino;
Cena 2, das overdoses usuais e ditas legais;
Cena 3, das vidas sem câmbios lá fora
- que se reescrevam, então,
Os Infernos de Dante Alighieri;
mas, aqui é a realidade manicomial!
***

Reporto-me às palavras de um douto inconteste,
um doutor que rompeu o silêncio,
o jornalista Jânio de Freitas,
do jornal A Folha de São Paulo:
"A psiquiatria é a mais atrasada das ciências"
- Parafraseio Jânio de Freitas
porque a casa dos mortos,
que é a metáfora arquitetônica
pela qual designo a psiquiatria,
pede que se fale
contra si mesma!
***
E, por falar, também, em lucidez,
sou lúcido e translúcido:
a colunista-articulista Danuza Leão,
no jornal baiano A Tarde, explica:
"Lucidez é reconhecer
a sua própria realidade,
mesmo que isso lhe traga sofrimentos."
Mas, qual, ó Bubu!:
isto aqui é a casa dos mortos,
e, na casa dos mortos,
quem tem um olho é rei,
porque esta é a máxima e a práxis
da casa dos mortos.
***
Hospital São Vicente de Paulo /
Taguatinga - Distrito Federal - Brasil, abril de 1995:
o laudo a meu respeito (eu Bubu)
é categórico e afirma sinteticamente:
"O senhor Bubu é perfeita e plenamente lúcido!".
Mas, é que lá a psiquiatria é Psiquiatria Federal,
com P maiúsculo,
de propriedade patenteada
e de panteão da civilização;
enquanto que, aqui na Bahia,
a psiquiatria é psiquiatria estadual,
com p minúsculo,
de pôrra-louquice
e de prostíbulo do conceito clínico
(não custa nada afirmar:
eu Bubu fui absolvido
pela Psiquiatria Federal,
e eu Bubu fui condenado
pela psiquiatria estadual
- eis o mote da minha história!)
***
Isto é um veredicto!
- tomara que fosse um ultimatum
à casa dos mortos!

Assista o filme CLICANDO AQUI.

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS
ban nha mat pho ha noi bán nhà mặt phố hà nội