A oficina de salão de beleza

Essa oficina consiste na apropriação de um "salão de beleza" montado dentro da instituição, na enfermaria feminina, com material de doações. Nela, os estagiários realizam o cuidado da aparência das pacientes: fazem suas unhas, lavam e penteiam seu cabelo, etc. Em geral, as pacientes gostam desse universo feminino e identificam-se com ele, com batons, esmaltes, espelhos, escovas e secadores de cabelo, maquiagem...

A atividade do salão de beleza faz com que o coordenador tenha uma função próxima à de cuidador, já que deve estar aberto ao contato corporal com a paciente. Tem um sentido estético, de higienização, de convívio, de fazer borda na corporalidade do psicótico, tão maltratada na psicose. Tanto pode ser um momento de prazer e bem-estar com o corpo quanto suscitar angústia e dificultar o manejo com a paciente. A concretude do corpo, sua deflagração de realidade, sua marca inscrita no simbólico não se constituem na psicose. O sujeito objetifica seu corpo, que, para ele, passa a ser lugar de inscrição do desejo do outro, nesse imperativo de gozo próprio da psicose.

Nessa deficiência, imprecisão de limite entre o próprio corpo e o corpo do outro, através da oficina, a paciente pode experimentar a sensação corporal como um elemento constitutivo de sua imagem corporal, identificadora, que limita, contém, contorna, separa. No lugar de serem cuidadas, as pacientes passam a se cuidar e a cuidar umas das outras, estimuladas pelo ambiente do salão de beleza. 

Não devemos, enquanto oficineiros, lidar com a "corporalidade" do psicótico desavisadamente. A atenção e o conhecimento da psicose são indispensáveis. À medida que trabalhamos com psicóticos, vemos que a loucura não é só sofrimento: é uma solução, um modo de existência próprio, que faz suplência ao insuportável. Por isso, a relação afetiva que o psicótico estabelece com o outro é desestabilizada, imprevisível, despolarizada, apaixonada. Assim, ao mesmo tempo em que se mostra dotado de uma afeição quase pueril, pode fazer-se hostil. Ao passo que nos despimos de nossos preconceitos, que, com a experiência, desmitificamos a psicose, vamos aperfeiçoando a forma de manejo com esses pacientes. È justamente aqui que se situa o incompreendido, o intratável da psicose, é no ponto em que o enigma se faz na falta de sentido, que a nossa lógica não alcança. Fica-nos claro que é o medo inconsciente da nossa própria "loucura" que nos ameaça. 

Aprendemos, com a loucura alheia, a precariedade de nossos pensamentos, a transitoriedade de nossas percepções e identidades, a intensidade como experiência e a vivência de ruína.

Mais que respostas, essa experiência suscita várias perguntas: como legitimarmos a experiência das oficinas para que realmente se constituam em espaço de cidadania para os sujeitos? Qual a postura ética do coordenador das oficinas? 

Fonte:  As oficinas na saúde mental: relato de uma experiência na internação - Teresa Cristina Paulino de Mendonça (PUC-MG)

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O Serviço Social e as Residências Terapêuticas


Primeiramente, o trabalho do assistente social, juntamente com uma equipe (psicólogos e cuidadores sociais), é introduzir os moradores no social. No que é uma casa, no que são as ruas, os bairros, a cidade. Padaria, mercado, cinema, teatro, comprar roupas, relógios, almoçar fora. Todas essas atividades, que são tão corriqueiras, precisam ser construídas, mais ainda, precisam de tempo para isso. Tempo de cada um, tempo de trabalho. O simples fato de um morador pedir algo – o processo de sair e comprar cada coisa que se pede -, precisa de um tempo para ser construído. Nesse processo, ocorrem empecilhos, combinações que não se cumprem, até acontecer a saída.
O segundo passo é construir uma casa. Construir com os moradores novas significações que permitam estar na cidade. Esse movimento produz novas histórias e relembra antigas. Nesse sentido, é preciso que se esteja com eles nesses espaços reconhecendo histórias e lembranças, mediando contato, para que assim possam estabelecer outros laços.
Entre as áreas de Saúde mental e Assistência Social – no que diz respeito à gestão de políticas públicas -, surge uma tensão formadora de trabalho que convoca construção permanente de rede, para além dos limites institucionais.

As residências terapêuticas são um espaço de ação social onde o sujeito cria relações significativas com o meio nas interações cotidianas do seu universo de referências individuais. São para seus moradores, dispositivos de produção de subjetividade. Deste modo, com a mudança para o tipo de dispositivo residencial os novos moradores produzem uma releitura de suas experiências passadas, iniciando um processo de reconstrução e atualização da identidade. Esta reorganização pessoal é fundamental para a construção subjetiva do novo espaço de moradia, pois possibilita aos indivíduos moldarem a sua relação com o ambiente, além de experimentarem o seu campo de manobra no território.
            O trabalho necessário a ambas equipes envolvidas (CAPS e RT) é acompanhar como cada um apropria-se de seu endereço, espaços da casa e da rua, criando uma atmosfera doméstica. Em alguns momentos, esse acompanhamento vai exigir mediadores, um investimento mais dirigido. A tarefa é lidar com sujeitos cujo sentimento de pertencimento é algo a ser construído, acompanhar como se dá a invenção de cada caso exige no cotidiano, estar atento aos detalhes e aos efeitos das intervenções (a divisão de tarefas, a presença de cuidadores e estagiários, a figura de uma coordenação).
            Portanto, segundo José Augusto Bisneto, “ao repor o usuário dos serviços psiquiátricos na sociedade, o Serviço Social não deve fazê-lo na perspectiva de ajustamento e adaptação. É necessário tentar criar condições para o mínimo de reapropriação por ele das relações sociais, na família, trabalho, gênero, raça etc. A noção de cidadania não é meramente formal. Benefícios, usufruto de aparatos de Estado e serviços sociais não podem ser apenas para cumprir dispositivos legais, mas para possibilitar a reapropriação social concreta no cotidiano. Não se deve lutar pelos direitos dos portadores de transtorno mental isolada e descontextualizadamente”.

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O cotidiano nas Residências Terapêuticas


Há algo específico no cotidiano de uma Residência Terapêutica que sempre nos remete a uma tensão: é casa ou não? É casa, pois o telefone toca, a campainha toca, a vizinha reclama, o gato da vizinha pula para a casa, a vizinha desvia água, e em aniversários os vizinhos estão presentes. Mas existe cuidador, coordenadora, estagiários. Os moradores não pagam conta de telefone, aluguel e nem luz. O que se sabe é a única coisa que não pode ser: manicômio. Talvez a base de todo trabalho nas RT’s residam nesse ponto, onde identificam-se os limites e impasses seja com os moradores ou com a equipe.
Quem está mais próxima do dia-a-dia da casa são os cuidadores. E este é um outro trabalho, também, cotidiano. A coordenação desse projeto precisa estar muito próxima deles – seja na casa ou em reuniões freqüentes. Acompanhar o trabalho junto aos cuidadores não é mais fácil do que o trabalho com os moradores. Eles também podem cair na rotina, no automático. O seu papel é essencial, pois visa inserir os moradores nos papéis desempenhados nos cuidados da casa, mediando essas tarefas e não fazendo por eles. A questão da rotina se faz presente nesse momento em duas vias. Uma rotina na casa é necessário. Rotina de um cotidiano, da dinâmica, do movimento entre eles. Qualquer casa tem a sua. Só que a rotina tem de ser dos moradores e não dos cuidadores. São detalhes extremamente importantes e é preciso que estejamos atentos a eles.
Além disso, na residência terapêutica, diferentemente de qualquer casa, o cotidiano inclui os cuidados com as medicações (existe na casa ou está faltando, se estão ingerindo ou estão jogando fora), os cuidados com a alimentação específica com as complicações clínicas. Cuidados, com a particularidade de cada um, sem ser em detrimento do grupo, numa dinâmica de convivência de casa.
A rede de cuidados também realiza-se através de dois CAPS. Apesar do constante contato com esse dispositivo, acredita-se que essencial separar o que é cuidado da casa e o que é tratamento no CAPS. Fazer essa diferença é mais uma tentativa de construir essa casa, o morar. É atribuído ao CAPS a missão de ocupar ou preencher o cotidiano dos usuários considerados graves, além de oferecer uma espécie de compensação traduzida em proteção, comida, benefícios, oferta de trabalho ou de atividades.
Os CAPS, desde sua criação, têm um compromisso com o destino com as pessoas que possuem sofrimento mental e vivem nos hospícios ou que ficam entregues a própria sorte, à margem dos dispositivos de tratamento. Constituem um passo fundamental para sustentar uma idéia de uma rede de serviços em saúde mental que funcione, de fato, como alternativa ao modelo manicomial, o que não significa dispensar o hospital psiquiátrico.

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Serviços Residenciais Terapêuticos - SRT


A desinstitucionalização e efetiva reintegração de portadores de sofrimentos mentais na comunidade é uma tarefa a que o SUS vem se dedicando com especial empenho nos últimos anos. Juntamente com os programas De Volta Para Casa e Programa de Reestruturação dos Hospitais Psiquiátricos, o Serviço Residencial Terapêutico (SRT) vem concretizando as diretrizes de superação do modelo de atenção centrado no hospital psiquiátrico.
         
            As residências terapêuticas constituem-se como alternativas de moradia para um grande contingente de pessoas que estão internadas há anos em hospitais psiquiátricos por não contarem com suporte adequado na comunidade.
Além disso, essas residências podem servir de apoio a usuários de outros serviços de saúde mental, que não contem com suporte familiar e social suficientes para garantir espaço adequado de moradia.
Temos hoje, no Brasil, um grande número de potenciais beneficiários destas residências. Pessoas que poderiam deixar o hospital psiquiátrico com a garantia de seu direito à moradia e ao suporte de reabilitação psicossocial.
Existem também usuários sem histórico de internações prolongadas, mas que por razões diversas precisam de dispositivos residenciais que permitam prover adequadamente suas necessidades de moradia.
O Serviço Residencial Terapêutico (SRT) – ou residência terapêutica ou simplesmente "moradia" – são casas localizadas no espaço urbano, constituídas para responder às necessidades de moradia de pessoas portadoras de transtornos mentais graves, institucionalizadas ou não.
O número de usuários pode variar desde 1 indivíduo até um pequeno grupo de no máximo 8 pessoas, que deverão contar sempre com suporte profissional sensível às demandas e necessidades de cada um.
O suporte de caráter interdisciplinar (seja o CAPS de referência, seja uma equipe da atenção básica, sejam outros profissionais) deverá considerar a singularidade de cada um dos moradores, e não apenas projetos e ações baseadas no coletivo de moradores. O acompanhamento a um morador deve prosseguir, mesmo que ele mude de endereço ou eventualmente seja hospitalizado.
O processo de reabilitação psicossocial deve buscar de modo especial a inserção do usuário na rede de serviços, organizações e relações sociais da comunidade. Ou seja, a inserção em um SRT é o início de longo processo de reabilitação que deverá buscar a progressiva inclusão social do morador.
No início dos anos 90, experiências de sucesso nas cidades de Campinas (SP), Ribeirão Preto (SP), Santos (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Porto Alegre (RS) demonstraram a efetividade da iniciativa na reinserção dos pacientes na comunidade. Estas experiências geraram subsídios para a elaboração da Portaria n.º 106/2000, do Ministério da Saúde, que introduz os SRTs no âmbito do SUS.
Por ser recente, a implantação dos SRTs vem sendo discutida em vários âmbitos, de modo a assegurar que esta alternativa seja a mais adequada possível para auxiliar o morador em seu processo – às vezes difícil – de reintegração à comunidade. É preciso ter sempre em mente que a questão central é a moradia, o morar, o viver na cidade. Assim, tais residências não são precisamente serviços de saúde, mas espaços de morar, de viver, articulados à rede de atenção psicossocial de cada município.

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A Privatização da Rede Pública é ineficiente e injusta

A Lei das Organizações Sociais (OSs) recentemente aprovada em SP é duplamente questionável. Atualiza a velha polêmica sobre o processo de "terceirização" da gestão que acompanha a transferência de responsabilidades sanitárias para organizações privadas e filantrópicas que não necessariamente dispõem de portfólios que comprovem inequívoca superioridade em termos de eficiência administrativa e qualidade assistencial. E acrescenta a "novidade" de autorizar o setor público a vender serviços ao setor privado (25% da capacidade instalada). Trata-se de um "detalhe" que fere o SUS estruturalmente, uma ameaça de “desuniversalização” do SUS, que não pode ser encarada como artefato ingênuo, acionado para incrementar receitas.

No atual contexto, marcado pela busca de alternativas dos municípios quanto ao "modelo de gestão" a adotar, nos marcos impostos pela ausência de Reforma Administrativa há um esgotamento da forma com que o SUS vem sendo construído. Vivemos um impasse. Por um lado a restrição de 54% dos gastos para contratação de pessoal, imposta pela Lei de responsabilidade fiscal, faz com que grande parte das cidades não possa mais contratar pela administração direta. Por outro, há limites da "racionalidade" da administração direta em relação ao dinamismo e complexidade do SUS.

Estamos diante de imensos desafios. Em face das tentativas de ruptura da solidariedade social, que fundamenta o SUS, é imprescindível repudiar as ameaças de sua fragmentação e confinamento a um programa assistencial para brasileiros pobres. Mas não apenas isso: também assumir e compartilhar com outras entidades científicas, organizações da sociedade civil e órgãos governamentais os esforços para coordenar a reflexão e a construção de alternativas para efetivar o SUS.

Nunca assistimos passivamente as políticas de desmonte do SUS. Ao longo dos vinte anos de sua implementação, resistimos a inúmeros e intensos ataques à garantia formal e real do direito à saúde. Por isso temos consciência e autoridade para julgar a natureza deletéria da lei das OSs e das articulações em curso para intensificar a capitalização e financeirização das atividades de saúde e custeio do componente privado do complexo médico industrial.
 
Nota da ABRASCO.

COMENTÁRIOS: Ano passado, a Justiça Federal determinou à Prefeitura de São Paulo que amplie o atendimento psiquiátrico com a implantação de mais 57 ambulatórios de saúde mental e outros 37 serviços residenciais terapêuticos -locais de readaptação à sociedade para pacientes do sistema público de saúde. Para a procuradora da República Adriana da Silva Fernandes, uma das autoras da ação, a reforma psiquiátrica em São Paulo "não saiu do papel". "A lei prevê um novo tratamento da saúde mental. Os centros ambulatoriais são insuficientes para atender à população. Quem sai dos hospitais não tem onde se tratar", diz.

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É preciso preservar a autonomia dos profissionais da saúde e disponibilizar os seus serviços à população

Algumas lideranças médicas tentam, há anos, restringir a autonomia dos profissionais da saúde. O projeto, que ficou conhecido como ATO MÉDICO (PL n. 7703/06 - clique aqui), acaba de ser aprovado na Comissão de Trabalho de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados Federais, dando aos médicos a exclusividade do diagnóstico e da prescrição dos tratamentos. 


O projeto aprovado está melhor do que a versão original do Senado, na medida em que foram estabelecidos, também, alguns atos privativos de outras profissões da saúde. Esse projeto ainda será discutido em outras comissões antes de ser votado no Plenário da Câmara e retornar ao Senado.

Desde 2004, o Crefito-SP defende que a população tem o direito ao livre acesso aos profissionais da saúde, sem que tenham de passar necessariamente por uma consulta e prescrição médica. Ao dar aos médicos a prerrogativa exclusiva do diagnóstico nosológico (doenças) e da prescrição terapêutica (tratamento), o PL 7703/06 retrocede ao passado e acaba com a autonomia dos profissionais da saúde. Para atender seus pacientes e clientes, os profissionais da saúde precisariam esperar o encaminhamento de um médico com o diagnóstico da doença e a receita do atendimento que eles deveriam executar. 

Em outras palavras, na forma como está, este projeto os transformaria em técnicos dos médicos. O ESTADO não pode admitir que um profissional da saúde socorra a vida, sem ao menos saber quais são os principais sinais e sintomas (diagnóstico da doença) que acometem a vida do paciente. Para preservar os interesses da vida, o ESTADO deve manter a autonomia dos profissionais da saúde, mas cobrar deles um atendimento de qualidade, punindo rigorosamente, civil e criminalmente, a má prática de seus atos privativos. 

Como admitir que os médicos façam a prescrição terapêutica em áreas do conhecimento (i.e., Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia, Enfermagem, Nutrição, Educação Física, Serviço Social, Psicologia, Farmácia, Odontologia, Biomedicina) em que eles nunca tiveram qualquer tipo de treinamento? A maioria dos pacientes (75%) é portadora de doenças crônicas. As principais doenças possuem causas multifatoriais. 
Cada profissional da saúde é treinado para diagnosticar e tratar aspectos específicos dessas doenças. Assim, o correto seria o ESTADO promover a autonomia desses profissionais, colocando as habilidades e competências de cada um a serviço da vida saudável. 

No entanto, o Ministério da Saúde tem apoiado o referido Projeto de Lei sob o argumento de que este é bom para o SUS. Acredito que o objetivo não declarado do Governo é usar os médicos para fazer uma triagem, dificultando e evitando a obrigação da oferta dos serviços dos profissionais da saúde à população. Afinal, a Constituição Federal e outras leis estabelecem que saúde é direito de todos e dever do ESTADO. É exatamente por causa desse direito que a Justiça tem obrigado o Governo Federal a gastar mais de meio bilhão de reais por ano ofertando serviços de saúde para o contribuinte. Essa conta tende a aumentar, à medida que a população descobre que se recorrer ao Ministério Público, pode obrigar o ESTADO a ofertar os serviços de saúde. 

Vejamos a realidade da saúde no Brasil apresentada pelo próprio Ministério da Saúde. Em 2008, o Governo Federal realizou 1.034.992.116 consultas, a um custo de R$ 2,5 bilhões (R$ 2,4 reais em média cada). Essas consultas geraram 573.917.793 exames (R$ 6,3 reais em média cada). Foi uma média de 5,4 consultas por brasileiro, a um custo total ao Governo de 5,4 bilhões, apenas em medicamentos. Como explicar que apesar dessa enorme cobertura e de sermos uma população jovem, temos 50 milhões de portadores de doenças crônicas e ainda vivemos uma década a menos do que poderíamos? Os dados do Governo Federal demonstram como funciona e opera a indústria da doença no Brasil. 

Na prevenção da doença, representada principalmente pelo Programa de Saúde da Família, o Governo emprega 30 mil equipes (médico, enfermeiro e agente comunitário) a um custo de R$ 2,3 bilhões, em 2008. Em tese, essas equipes atenderiam 90 milhões de habitantes. Por outro lado, o gasto do Governo Federal com o pagamento de atendimentos prestados pelos profissionais da saúde é ínfimo. Apenas para citar um exemplo, um fisioterapeuta e terapeuta ocupacional recebem menos de R$ 6 reais por um atendimento. Portanto, não é a oferta e a remuneração dos profissionais da saúde que oneram os gastos do Governo nessa área. 

Por trás do movimento do Ato Médico também estão os principais planos de saúde, os quais possuem representantes no Congresso Nacional, instalados nas principais Comissões que decidem o futuro dos projetos de lei. Esses planos de saúde acreditam que a oferta dos serviços dos profissionais da saúde poderia aumentar seus custos. Mantêm os profissionais da saúde trabalhando em contratos leoninos, sem reajuste há mais de 15 anos. Porém, não percebem que eles também são vítimas dos crescentes custos da indústria do diagnóstico e farmacêutica. 

Acredito que a maioria absoluta dos médicos não concorda com o movimento corporativista e míope de parte de suas lideranças que tentam subjugar os profissionais da saúde. Os médicos sempre fizeram diagnóstico médico e prescrição médica muito bem. Foi graças ao exercício talentoso dessas habilidades e competências que eles lograram o respeito e admiração de todos, inclusive dos demais profissionais da saúde. 

Para fazermos a virada na saúde, precisamos da união de todos os profissionais da saúde com a população. Essa mudança passa pela eleição de presidente, governadores, senadores e deputados federais em 2010 comprometidos com os interesses da vida saudável da população. Com um Congresso forte e vigilante dos interesses da sociedade poderemos impedir que projetos de lei, como o PL 7703/06, que fazem mal à saúde da população e aos interesses dos profissionais da saúde se transformem em leis.

Com um poder Executivo sensível aos interesses da saúde dos brasileiros, poderemos implementar uma revolução na administração pública, colocando os impostos do contribuinte a serviço da vida.

Prof. Dr. Gil Lúcio Almeida
Presidente do Crefito-SP

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Grupo Harmonia Enlouquece

Depois de participar da novela das oito Caminho das Índias, o grupo Harmonia Enlouquece ganhou destaque no cenário musical nacional. Criado no Centro Psiquiátrico Rio de Janeiro (CPRJ) em 2001, a proposta do grupo é o tratamento alternativo de pacientes com transtornos mentais cujo projeto Convivêndo com a Música visa oferecer um espaço onde os sujeitos envolvidos pudessem vivenciar diversas atividades sonoras musicais, dando lugar à expressão, à criatividade e à comunicação, sendo coordenada pelo psicólogo e musicoterapeuta Sidnei M. Dantas. 


Trata-se de uma atividade aberta a todos da instituição, sejam usuários ou técnicos, pessoas que, afetadas pela música e pela poesia, encontram-se uma vez por semana para ouvir, cantar, tocar, compor e, sobretudo, estabelecer um contato rico em sentimentos e emoções através da matéria sonora. Através dessas composições, fala-se da história de vida dessas pessoas e, dessa forma, pretendemos vê-las compartilhadas e valorizadas. 

O grupo “Harmonia Enlouquece” emerge como desdobramento de tais encontros, dando corpo e voz aos nossos “delírios musicais”, com canções próprias e interpretações do cancioneiro popular.

Harmonia Enlouquece - sufoco da vida
 

Letra da música

Estou vivendo no mundo do hospital
Tomando remédio de psiquiatria mental
Haldol, Diazepam, Rohypnol, Prometazina...
Meu médico não sabe como me tornar um cara normal
Me amarram, me aplicam, me sufocam num quarto trancado
Socorro! Sou um cara normal asfixiado.
Minha mãe, meu irmão, minha tia, minha tia
Me encheram de drogas de levomepromazinna.

Ai, ai, ai que sufoco da vida
Estou cansado de tanta levomepromazina

O download da música poderá ser feito diretamente do site CLICANDO AQUI.

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